segunda-feira, 16 de junho de 2014

Uma descrição

Saudações, leitor. Sei que na publicação anterior, não expliquei o motivo do título, uma vez que nem citei o livro ou filme. Receio que a intenção não era explicar mesmo. Acredito que toda explicação tem por função a sentença de uma reflexão, de um contexto, um pensamento,... e assim por diante. A minha proposta aqui não cabe explicações. Não quero explicar nada. Se algum pensamento me escapa nessas palavras como dado e concluído, peço minhas sinceras desculpas. Sou distraída demais e por vezes (para não dizer constantemente), não faço releituras das minhas próprias palavras 'dadas' aqui.

O que chega até teus olhos, são pensamentos espontâneos. Assim, permito-me em liberdade, mudar de ideia ou palavras. Algumas pessoas podem nomear de "contraditório", mas prefiro chamar de "pensamentos transitórios", aos quais, não tem obrigação alguma a casar-se com algo e dar-se por definitivo e acabado.

Voltando ao título anterior, escrevia sobre solidão.  Afinal, o que eu tinha na cabeça para escrever solidão e colocar um título daqueles? Bem, em primeiro ato, devo comunicar que um dos fatos que chamou-me a atenção escandalosamente, não foi apenas a presença da doença em si, mas a autenticidade da solidão que havia. Uma via que está na contramão do que consigo observar. Conhecidos próximos que estão em desespero gritante (alguns sem se darem conta), por não terem alguém. Não de amor, não de história... Mas de status. Uma busca não pela felicidade, mas por um lugar nessa sociedade que diz que "felizes para sempre", só com príncipe (ou princesa).

Aí reside a magia que sobressaltou-me os olhos: tanto Hazel quanto Augustus, não se limitam a beleza dos olhos. Se conectaram pelo conhecer, pelo compartilhar dos dias... O romance físico mesmo, só acontece após um tempo.

Quantos conseguem esta proeza de conexões que não partem do corpo?

ATENÇÃO! Não quero ser desagradável... O que será escrito a seguir, pode ser considerado SPOILER...

Pronto. Agora a liberdade de escolha é sua.

Não, não estou aqui defendendo a castidade. Não teria moral e seria um tanto quanto hipocrisia da minha parte falar sobre. Claro, seria egoísta também pensar em conexões corporais apenas me referindo ao ato sexual. Excluindo os abraços, as mãos entrelaçadas e até mesmo a dança...

Os personagens conseguiram essas conexões igualmente. O sexo pareceu a forma máxima que ambos conseguiram expressar seus sentimentos. Por essa via, o sexo parece como um texto: a máxima expressa de um pensar do autor. Esquecemos os espaços vazios quando há palavras.

Mas não havia apego ao sexo em si, mas no sentido.

Isso me lembrou um poema do Baudelaire. Um frasco vazio esquecido em um baú, cujo vidro já não guardava mais o líquido, mas a essência. Quando Augustus não se faz mais presente como o líquido: sua essência permanece.

Seria este o merecimento pelo envolvimento do outro não só como mais um corpo? Não só como mais um 'alívio pelo peso do meu estado civil'?

Desculpe, deixo-te aqui.
Volto em breve. Até lá.



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