Chá, leite ou apenas uma colher de Nutella? - essa é a pergunta que me faço depois de refletir sobre a minha vida. Chá acalmaria os hormônios que levantam a suspeita de uma possível tensão. Leite, morno, também poderia acalmar. Uma colher de Nutella só iria me acusar minutos ou no dia seguinte pelas calorias. No entanto, creio que nenhuma das opções acima, seriam plenamente satisfatórias. Talvez um vinho, uma cerveja... Uma boa dose de uma conhaque resolvesse as inquietações desta madrugada.
É cômico ou no mínimo, irônico ou 'bipolar' como estava feliz no período vespertino, apesar de assistir uma discussão acadêmica terrívelmente mórbida. Mórbida sim. Considero doentio perder horas discutindo sobre "Escrever ou não um artigo deixando evidente uma opinião pessoal" ou "se foi um terceiro quem disse nesse diário de campo, não devo avisá-lo que estou citando-o"?! Oras, por favor! Quanto tédio desse mundinho... Toda preocupação em seguir as regras para ser só mais um a publicar algo. Não há nada de novo: escrevo apenas para ser aceito e publicado. Para ser sincera, não é apenas isso que me causa náuseas, o fato de estarem mais preocupados com um currículo lattes e se esquecerem do humano, também me faz sentir tédio. Ninguém parece estar interessado nas pessoas, muito embora se trate de ciências humanas. Não que você, atrás dessa telinha, pense que estou sendo 'radical' demais. Em estado pré-tensão hormonal, nada deve ser tomado com absoluto e concluído. Aliás, nem fora deste estado. Somos seres mutáveis.
Bom, ao menos, gosto de pensar que as pessoas, além de mim, se dão a liberdade de pensar e repensar sobre a mesma (ou não) temática.
Por falar em estado, lembrei da 'bipolaridade'. Estava contente antes da discussão citada. Tédio durante e contetamento após. Até fiz uma nova amizade com um desconhecido. (Diga-se de passagem que não é novo fazer amizades com desconhecidos... Creio o exercício de comunicação acontece mais do que gosto de admitir). Depois, veio o véu de todas as perguntas existenciais cabíveis... Ah, não. Não vou compartilhar aqui. É de suma melancolia e eu não conheço você. Assim, se você chegou até aqui, não quero aborrecer-te mais.
Então, convido-te para refletir junto comigo sobre solidão e amor...
[ Um momento. pegarei meu óculos. ]
[ Pronto. Podemos? ]
Bom, presuponho que se você é um ser humano vivente deste mundo, especificamente, no momento atual, no Brasil (ou Portugal, nunca se sabe), pode ser familiar as palavras "solidão" e "amor" estarem próximas. Aliás, estamos pensando não apenas em palavras, mas na sua manifestação nas relações. Então, pergunto-te; de qual modo estas palavras aparecem com frequência nas nossas verbalizações de maneira naturalmente juntas? Por qual razão isto acontece?
Da onde vem a ideia de que amar é sinônimo de estar acompanhado e solidão é ausência de amor?
"Poxa, Sophia, como assim?!". Vejamos, em algum momento escutamos (ainda que esta fala não tenha sido direcionada para nós): "Quando você encontrar o amor da sua vida...", "Você precisa se apaixonar, conhecer alguém...", ou a mais infeliz de todas: "Você precisa de um(a) namorado(a)". Aí eu pergunto:
"O amor se perdeu?", "Precisa apaixonar?", "Precisa de alguém?". Confesso que já escutei a última frase. As duas primeiras por fortúnio, lembro-me de só ter escutado de carona. Tá certo que viver um romance estilo "Diário de uma paixão", "Quando o amor acontece", "I can't think straight",... até mesmo do Félix (personagem de 'Amor à Vida', para os desprovidos de memória ou apáticos), intensifica as emoções e parece dar sentido à vida. Sentido não, ilusão. HAHAHAHA... Crueldade à parte! Suspende!
Voltando ao foco...
Será que para amar alguém é preciso estar junto? Ou estar junto quando se ama alguém é uma possibilidade?
Não me surpreende, então, ao associar sentimentos ao estar junto, que a solidão apareça numa via negativa. Negativa pois parece óbvio que quando se estabelece afetividade, torna-se evidente que estar próximo é almejado e contribuído pelos gritos dos sentidos. A solidão, talvez, seja o silêncio não desejável. Como uma ausência de gritos. Ora, não ousaria dizer que os sentidos não existem na solidão. Seria como dizer que o mar não tem água. Mas, ouso a provocar-te; ausência de sentidos gritantes, não é já um sentido? O sentido do silêncio...
Peço-te licença, mas vou retirar-me para dormir... Continuemos depois?
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